segunda-feira, abril 28, 2008

ENTRE A MORTE E A VIDA


Entre a morte e a vida
Lembra-te de teu Criador. (Ec 12.1.)

No necrotério da Policlínica de Barbacena, MG, realizávamos o ofício fúnebre do infausto japonês, 29 anos, engenheiro agrônomo, residente em São Paulo, falecido em consequência de desastre automobilístico. Duas ou três moças assistiam à cerimônia. Lá fora, um pelotão de rapazes da Escola Preparatória de Cadetes do Ar, suados e vermelhos, em passo acelerado, passava pelo local. Por um momento, as moças hesitaram entre permanecer ao lado do cadáver na sala fria e sinistra e sair para ver os jovens cheios de vida na rua clara e ensolarada. Estavam entre a morte e a vida. É claro que elas se decidiram pela vida. Abandonaram o necrotério e foram ver a vida passar.

Todos amamos a vida e detestamos a morte. É o instinto de conservação. Mas, sabemos, não é possível evitar a morte. Mais cedo ou mais tarde, de surpresa ou não, ela virá ao nosso encontro. A fatalidade da morte deve fazer-nos lembrar da morte mesma (memento morti) ou de Deus (memento Creatoris).

Filipe da Macedônia ordenou a um dos seus criados que lhe dissesse todas as manhãs: "Filipe, lembra-te que tens de morrer". Em algumas ocasiões pode ser útil pensar na morte, porém esta fixação nem sempre é salutar. Pode gerar desânimo, pessimismo e morbidez.

Na Bíblia, Salomão apresenta uma solução mais adequada e útil: "Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra como era, e o espírito volte a Deus, que o deu" (Ec 12.1, 6-7). A lembrança de um Deus que existe, que sustenta e governa o universo, que ama, perdoa e salva, que é encontrado pelos que o buscam e que nos espera do outro lado da vida — é por demais saudável. Porque acrescenta à vida física energia espiritual e transforma o medo da morte em esperança de coisas melhores.

Retirado de "Devocionais Para Todas as Estações" (Editora Ultimato, 2005).


"Uma vida dedicada às coisas materiais é morta, um tronco cortado; uma vida moldada por Deus é uma árvore florescente."

(Provérbios 11.28)

ACESSE

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